março 27, 2025

Os aeródromos e helipontos públicos da ecorregião de São Tomé
Os aeródromos e helipontos públicos da ecorregião de São Tomé

A ecorregião de São Tomé conta com dois aeródromos públicos: o Aeroporto Bartolomeu Lisandro, localizado em Campos dos Goytacazes (RJ), e o Aeroporto Joaquim de Azevedo Mancebo, em Macaé (RJ). Além desses, há os helipontos públicos do Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes (RJ), e do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).

Na porção capixaba da ecorregião, não se registram aeródromos públicos.

A história da infraestrutura aeronáutica na ecorregião está intimamente ligada aos ciclos econômicos regionais. No período em que a produção açucareira era o principal motor da parte fluminense da ecorregião, existiam aeródromos na planície aluvial, como os que atendiam à Usina Paraíso, em Tócos, Campos dos Goytacazes (RJ), conforme nos relata o leitor Rafael Gomes (veja aqui). Esses aeródromos, porém, provavelmente não contavam com pista asfaltada ou cimentada, diferenciando-se dos atuais.

Tócos, Campos dos Goytacazes (RJ)

Já o Aeroporto Bartolomeu Lisandro, este sim asfaltado, teve seu uso público inaugurado por iniciativa de um usineiro, evidenciando a conexão entre a aviação e a produção açucareira.

Com a transição econômica para a atividade petrolífera na Bacia de Campos, enquanto o Aeroporto Bartolomeu Lisandro, usado publicamente desde 1952, sobreviveu a essa mudança, os aeródromos de Tocos já não são nem mais listados como operantes no site AISWEB do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). Por outro lado, um aeródromo mais novo, o de Macaé, de 1980, em conjunto com os helipontos (do Farol de São Tomé, de 1994, e do Porto do Açu, ainda sem operação), passaram (Farol) ou podem passar (Porto do Açu) a desempenhar um papel estratégico no suporte à extração de petróleo.

Os aeródromos públicos da ecorregião deixaram de contar com linhas aéreas regulares em tempos próximos: o aeroporto de Macaé interrompeu essas operações em 2023, enquanto o aeroporto de Campos dos Goytacazes deixou de recebê-las em 2025, inaugurando um período em que toda a ecorregião permaneceu sem voos regulares até fevereiro de 2027. Nessa data, Macaé voltará a integrar a malha aérea nacional com voos da Azul para Guarulhos (SP), um destino provavelmente inédito, operados pelas novas aeronaves brasileiras Embraer E195-E2. Campos dos Goytacazes, por sua vez, continuará sem ligações aéreas regulares.

Antes desse hiato, existiam voos conectando Campos dos Goytacazes (RJ) e Macaé (RJ) a cidades como Rio de Janeiro (RJ), Campinas (SP) e Vitória (ES), utilizando aeronaves como o franco-italiano ATR 72, o tcheco LET L-410 e o estadunidense Cessna 208 Grand Caravan. No caso do Rio de Janeiro (RJ), as operações eram realizadas tanto no aeroporto Santos Dumont quanto no aeroporto Internacional do Galeão.

Nenhum dos aeródromos públicos da ecorregião possuiu, até onde sabemos, voos regulares de aeronaves como o Boeing 737 ou da família Airbus 320. Entretanto, é importante assinalar que há registros de pousos de aeronaves como o Boeing 737 e o Airbus 319 da Força Aérea Brasileira, ligados ao transporte do Presidente da República, no Aeroporto Bartolomeu Lisandro.

Os helipontos públicos existentes, por sua vez, possuem atuação restrita ao suporte às operações petrolíferas, sem qualquer utilização, até onde sabemos, para atividades turísticas, por exemplo. Esse fator demonstra a atual forte dependência da infraestrutura aeroviária em relação à indústria do petróleo, limitando alternativas econômicas e de desenvolvimento regional.

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