A discrepância nas operações policiais no Rio de Janeiro (RJ) revela dois níveis distintos de seletividade. No primeiro, entre 2007 e 2020, segundo estudo publicado no Journal of Illicit Economies and Development, observa-se que áreas dominadas por milícias (onde vivem 33,9% da população em 58,6% da superfície da cidade) recebem proporção muito menor de incursões policiais (6,5%) do que territórios controlados por grupos de narcotráfico (onde vivem 24,8% da população em 15,6% da superfície da cidade, mas que possuem 48% das operações policiais). As áreas em disputa recebem 45,5% das operações policiais, onde vivem 41,4% da população em 25,7% da superfície da cidade.
No segundo nível, dentro do próprio universo do narcotráfico, no mesmo período citado anteriormente, há uma concentração ainda maior de operações voltadas especificamente contra o Comando Vermelho (40,9% das operações policiais, mas 18,7% da população vivendo sob seu controle em 11,6% de área dominada). Outros grupos, como ADA (0,2% das operações policiais, mas 0,8% da população sob seu controle em 3,82% de área dominada) ou TCP (6,9% das operações policiais, mas 5,3% da população sob seu controle em 3,7% de área dominada), tendem a enfrentar menor intensidade de ações policiais.
Assim, o padrão geral revela uma dupla seleção: menos operações contra milícias em comparação ao tráfico e, dentro do tráfico, foco sobre o Comando Vermelho.
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