dezembro 21, 2025

Avenidas da linha Deodoro
Avenidas da linha Deodoro

Quase paralela à linha Deodoro da SuperVia, no Rio de Janeiro (RJ), existem duas grandes avenidas “invisíveis”. Embora não apareçam oficialmente nos mapas com um único nome, elas se impõem, por meio de diversas costuras, como eixos mais ou menos contínuos, formados por uma sucessão de ruas, avenidas e um viaduto que acompanham, em grande parte, o traçado ferroviário da linha Deodoro e viabilizam a circulação entre a área central, a Zona Norte e a Zona Oeste.

No sentido da zona Oeste, esse eixo tem início na rua Elpídio Boamorte, conectando-se sucessivamente à avenida Osvaldo Aranha, à avenida Rei Pelé, à rua São Francisco Xavier - onde ocorre uma breve separação da linha férrea - e à rua Vinte e Quatro de Maio. Apesar de se afastar um pouco do traçado ferroviário, o paralelismo se mantém ao longo dessa via e segue pela avenida Amaro Cavalcanti. Na rua Manoel Vitorino há nova separação, após a qual o alinhamento se restabelece plenamente nas ruas Elias da Silva, Nerval de Gouveia, Ângelo Dantas e João Vicente, onde o eixo se encerra, nas proximidades da Estação Deodoro.

No sentido da área Central, seu percurso começa pela rua Carolina Machado, afasta-se da linha na avenida Dom Hélder Câmara e na rua da Pedreira e, em seguida, retoma o trajeto paralelo pelas ruas Goiás, Aquias Cordeiro - onde há novo afastamento momentâneo -, Souza Barros e Engenho Novo, trechos em que o paralelismo se alterna com separações. Pela rua Ana Neri, após um trecho de proximidade com a linha férrea, ocorre mais um afastamento. Já separado da linha Deodoro, o eixo segue pela rua Licínio Cardoso e pelo viaduto Ana Neri, este transpondo a linha Saracuruna/Belford Roxo, continua pela rua Senador Bernardo Monteiro e volta a reencontrar o paralelismo com a linha Deodoro na altura da rua Visconde de Niterói. A partir daí, afasta-se novamente pela rua Bartolomeu de Gusmão, reencontrando a ferrovia nas proximidades da rua General Herculano Gomes. O trajeto prossegue pela rua Francisco Eugênio, onde se dá o afastamento final, encerrando-se na altura da antiga Estação Barão de Mauá.

Essas grandes avenidas fragmentadas articulam bairros históricos e zonas residenciais densamente ocupadas. Sua existência evidencia uma característica marcante do urbanismo carioca, no qual a cidade cresce por meio de sobreposições.

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