dezembro 10, 2025

Geografia histórica do Paulistinha
Geografia histórica do Paulistinha

Em uma reportagem publicada em dezembro de 2021, a CNN Brasil surpreendeu muitos leitores ao revelar quais são os quatro aviões mais fabricados no Brasil em todos os tempos. A surpresa se deu porque, embora três aeronaves da Embraer ocupem as primeiras posições da lista, o quarto lugar coube a um avião modesto, produzido por empresas hoje extintas - no plural, mesmo. Ainda presente no imaginário de muitos aviadores, essa posição é ocupada pelo Paulistinha, um avião a pistão que teve uso extensivo na instrução de pilotos em inúmeros aeroclubes brasileiros.

Derivado de um modelo estadunidense, o Taylor Cub, esse pequeno avião surgiu em 1935, desenvolvido pela Empresa Aeronáutica Ypiranga (EAY), no Campo de Marte, em São Paulo (SP). No entanto, foi somente após a aquisição da empresa pela Companhia Aeronáutica Paulista (CAP), em 1943, que o então EAY-201 passou a se chamar Paulistinha e alcançou uma produção significativa.

Na década de 1950, a fabricação da aeronave foi assumida pela Indústria Aeronáutica Neiva, sediada em Botucatu (SP). Considerando todas as versões produzidas ao longo do tempo pelas três empresas envolvidas, o Paulistinha totalizou 1043 exemplares fabricados, consolidando-se como uma das aeronaves mais produzidas da história da aviação nacional.

Diante desses números - e da fácil identificação dos aeródromos do Campo de Marte, em São Paulo (SP), e de Botucatu (SP) - surgiu a curiosidade de descobrir onde, exatamente, a Companhia Aeronáutica Paulista manteve sua linha de produção. A resposta levou a uma descoberta surpreendente: o Paulistinha foi fabricado em Santo André, em um campo de pouso que hoje já não existe.

Essa trajetória pode ser reconstituída a partir de postagens feitas por Aroldo Morais em grupos do Facebook (veja os links no final da postagem). Logo, com base em mapas disponibilizados pelo autor referido, foi possível georreferenciar o provável local onde funcionou a fábrica da CAP no OpenStreetMap (via uMap):

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