janeiro 17, 2026

Compartimentação da baía de Guanabara
Compartimentação da baía de Guanabara

A Baía de Guanabara formou-se a partir de falhamentos tectônicos associados à erosão e à posterior invasão marinha durante a Era Cenozoica.

O sistema estuarino da Baía de Guanabara, antigo paleorio Guanabara, segundo Amador (1997, 2012), foi inundado pela subida da água do mar no Holoceno [uma Época do Cenozoico], durante a transgressão pós-glacial. (Vilela & Neto, 2021, p. 303).

Com a chegada do europeu ao que é hoje o território brasileiro, na Idade Moderna - ou seja, agora do ponto de vista da História Social -, esse ambiente foi muito modificado. Contudo, as principais alterações na baía ocorreram a partir do século XX, já durante a Idade Contemporânea, com um crescimento demográfico explosivo (e sua poluição doméstica), a expansão industrial (e sua respectiva poluição) e a intensificação dos aterros.

Embora a relação entre sociedade e baía já não fosse sustentável nos séculos XVIII e XIX, foi a partir do século XX que as transformações se intensificaram de forma decisiva.

Hoje, no século XXI, o acúmulo de agressões sofridas pela Baía de Guanabara exige um equilíbrio narrativo: se por um lado o sensacionalismo catastrófico é impreciso, por outro, não se pode aceitar o conforto de uma capacidade de regeneração que ignore a gravidade do que foi feito com ela, mesmo que venhamos a fazer o nosso dever de casa.

Assim, uma forma encontrada por alguns pesquisadores para compreender a qualidade ambiental da baía é por meio da presença de foraminíferos, já que:

Espécies bioindicadores de poluição como a Ammonia tepida foram dominantes nas regiões sob estrasse ambiental e confinadas, enquanto que espécies de mar aberto como Bucella peruviana ocorreram em abundância na entrada e região central. (Vilela & Neto, 2021, p. 303).

Como se vê, a Baía de Guanabara pode ser compartimentada quanto à sua qualidade ambiental. No mapa abaixo, é possível observar essas quatro regiões, bem como o canal da Baía de Guanabara, destacado em vermelho, que contribui para explicar essa compartimentação, uma vez que apresenta, ao longo de toda a sua extensão, profundidades de ao menos 10 metros e é responsável por favorecer a renovação das águas da baía.

Segundo os autores do estudo (Claudia Gutterres Vilela e José Antonio Baptista Neto), essas quatro regiões podem ser assim compreendidas:

As assembleias dos foraminíferos compartimentaram a Baía respondendo aos padrões geoquímicos e de dinâmica sedimentar. Foram encontradas quatro assembleias: assembleia 1 na região norte próxima à REDUC, com espécies oportunistas e bioindicadoras de poluição (Quinqueloculina seminula, Ammonia tepida); assembleia 2 na região nordeste, contendo espécies aglutinantes (Textularia earlandi), típicas de manguezal (Ammotium salsum e Trochammina inflata); assembleia 3 na entrada da Baía, dominada por espécies típicas marinhas, entre elas Bucella peruviana e Pseudononion cuevanensis. A Enseada de Jurujuba pode ser caracterizada com a assembleia 4, que se distingue por apresentar espécimes diminutos de bioindicadoras de poluição e adaptados a regiões confinadas (Figura 4). (Vilela & Neto, 2021, p. 312).

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