A região conhecida como Matopiba, acrônimo formado pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, tornou-se o epicentro da modernização do agronegócio brasileiro no século XXI. Esta dinamização econômica apresenta um cenário complexo, com benefícios tangíveis e custos ambientais profundos, ilustrando o dilema entre desenvolvimento e conservação.
Do lado positivo, a região vem melhorando seus aeroportos: obras e ampliações como em Bom Jesus do Gurguéia (PI) e Luís Eduardo Magalhães (BA) podem facilitar a presença de serviços técnicos do agronegócio. Dentre os aeroportos mais antigos e movimentados da região, temos o de Imperatriz (MA), Barreiras (BA) e Araguaína (TO). O aeroporto de Teresina (PI), apesar de não estar situado no interior de Matopiba, é muito próximo a região. Além dele, há o novo aeroporto de Palmas (TO), o mais movimentado de Matopiba, por estar sediado em uma capital estadual.
Além disso, a mecanização avançada inclui crescente uso de aviação agrícola (aviões e drones de pulverização), que acelera aplicação de agrotóxicos e a eficiência nas grandes lavouras da região.
Outro ponto importante é que o Matopiba começa a despontar como nova fronteira para a produção de trigo no país. Caso consolidado, esse avanço pode reduzir a dependência brasileira de trigo importado e diversificar ainda mais a matriz produtiva regional.
No entanto, os custos ambientais são relevantes. O desmatamento do Cerrado no Matopiba vem ocorrendo a um ritmo elevado, reduzindo cobertura natural e colocando em risco a vazão de rios e nascentes que abastecem a própria região e até além. A superexploração de águas para irrigação também compromete o potencial de expansão futura: pesquisas indicam que 30 a 40% da demanda por irrigação pode ficar sem atendimento nas próximas décadas se o uso não for regulado.
Assim, Matopiba personifica um desafio nacional: como conciliar a geração de riqueza e construção de infraestruturas com a conservação dos ecossistemas que tornam essa riqueza possível.
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