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agosto 08, 2026

O bairro de Jacarepaguá e seus três territórios
O bairro de Jacarepaguá e seus três territórios

A criação do bairro da Barra Olímpica produziu uma configuração territorial bastante particular no município do Rio de Janeiro (RJ), uma vez que o bairro de Jacarepaguá, que teve parte do seu espaço incorporado a nova Barra, passou a ser constituído por três territórios descontíguos. O primeiro e maior deles possui 40.126.057 m² e está situado predominantemente no Maciço da Pedra Branca. O segundo, com 25.973.879 m², localiza-se principalmente no Maciço da Tijuca e abrange parcialmente Rio das Pedras. O terceiro, com 2.277.605 m², ocupa uma posição central e encontra-se integralmente na Baixada de Jacarepaguá, atrás do Centro Metropolitano, sendo parcialmente delimitado pela Estrada dos Bandeirantes, a oeste, e pela Linha Amarela, a leste.

O mapa abaixo apresenta a configuração atual do bairro, representado em vermelho. Para visualizar a descontiguidade entre os territórios situados no Maciço da Pedra Branca e na Baixada de Jacarepaguá, é necessário ampliar o mapa:

O mapa abaixo apresenta a configuração do bairro de Jacarepaguá antes da criação da Barra Olímpica, permitindo visualizar a transformação de seu território e compreender como ocorreu sua fragmentação:

Essa configuração não é a mais usual na divisão territorial intraurbana brasileira. Em geral, quando o bairro é utilizado como unidade de organização do espaço urbano, espera-se que corresponda a um território contíguo, delimitado por ruas, avenidas ou outros elementos reconhecíveis da estrutura urbana.

No caso de Jacarepaguá, a configuração é particularmente interessante porque sua fragmentação não se resume à existência de um exclave, mas resulta na formação de três territórios distintos. Embora a porção central possa ser considerada o núcleo do bairro, ainda que provavelmente concentre uma população menor do que as demais partes, sua posição e suas características contrastam fortemente com as dos outros dois territórios. Como vimos anteriormente, enquanto a porção central está situada na Baixada de Jacarepaguá, da qual o bairro herdou seu nome, os demais territórios estão associados, sobretudo, aos maciços da Pedra Branca e da Tijuca.

Assim, a fragmentação territorial de Jacarepaguá não produz apenas uma descontiguidade, mas também uma configuração marcada pela presença de diferentes contextos geomorfológicos, que contribuem para diferenciar significativamente os três territórios que atualmente compõem o bairro.

junho 13, 2026

O sítio urbano de Macaé (RJ)
O sítio urbano de Macaé (RJ)

Macaé (RJ) possui a maior parte de seu território inserido na Ecorregião de São Tomé. Com uma população de 264.138 habitantes, o município apresenta uma área territorial de 1.215,904 km². Embora possua grande extensão territorial, sua área urbana ocupa aproximadamente 143 km². Com formato predominantemente alongado, a cidade desenvolveu-se acompanhando o eixo da RJ-106, que percorre grande parte do litoral municipal.

Considerando a delimitação da cidade adotada pela Prefeitura de Macaé, definida pelo conjunto de bairros do município, a área urbana é composta predominantemente por espaços classificados pelo IBGE como de Área Urbana de Baixa Densidade de Edificações, em laranja no mapa abaixo. Em seguida, aparecem as Áreas Urbanas de Alta Densidade de Edificações, em vermelho no mapa abaixo. O cruzamento dos dados também identificou a existência de uma pequena área rural no interior do perímetro urbano definido pelos bairros municipais - numa área que inclui parcialmente o aeródromo Rio Louro.

O sítio urbano reúne ainda sete diferentes padrões geomorfológicos, segundo a classificação so Serviço Geológico do Brasil. As mais presentes, contudo, são os brejos (em cinza no mapa abaixo), colinas (verde claro), restingas (amarelo alaranjado claro), mangues (preto) e morros baixos (verde).

Dessa forma, o sítio urbano de Macaé caracteriza-se por uma ocupação linear associada ao corredor da RJ-106, pela predominância de Áreas Urbanas de Baixa Densidade de Edificações e pela coexistência de setores urbanos mais adensados com uma pequena porção rural inserida no espaço oficialmente reconhecido como cidade.

junho 07, 2026

Os limites do crescimento urbano na zona Sudoeste
Os limites do crescimento urbano na zona Sudoeste

A ocupação urbana na zona Sudoeste do Rio de Janeiro (RJ) enfrenta sérias limitações na Baixada de Jacarepaguá, única unidade geomorfológica inteiramente contida na região. Formada por extensas planícies que abrigam lagoas próximas, a área possui vastos trechos de solo de turfa - um material orgânico escuro, gerado pelo acúmulo de vegetação em ambientes permanentemente alagados.

Do ponto de vista geotécnico, a turfa tem baixa resistência, sendo inadequada para suportar edificações sem o risco de afundamento. Por isso, essas áreas deveriam ser convertidas em espaços de proteção ambiental. Apesar dessas restrições, a pressão imobiliária força a ocupação desses terrenos frágeis.

Três casos emblemáticos na região ilustram os impactos de ignorar o meio físico: a Vila do Pan, o Centro Metropolitano e os prédios abandonados em Rio das Pedras.

Em 2014, o jornal O Globo noticiou que o terreno da Vila do Pan continuava cedendo, exigindo obras para conter maiores danos.

Em relação ao Centro Metropolitano, reportagem publicada em 2019 destacou que estudos posteriores ao Plano Lúcio Costa concluíram que não seria viável construir os edifícios originalmente previstos, devido à predominância de turfas naquele local.

Já em 2025, outra reportagem do mesmo jornal relatou que um condomínio abandonado há décadas em Rio das Pedras encontrava-se afundando progressivamente.

Logo, na zona Sudoeste do Rio de Janeiro (RJ), ou mais especificamente na Baixada de Jacarepaguá, a urbanização intensiva do solo mostra-se inviável em certos locais, exigindo o respeito às características naturais do terreno para evitar prejuízos econômicos, riscos à população e degradação ambiental.

junho 05, 2026

Transformações setoriais no Caju
Transformações setoriais no Caju

O bairro do Caju, localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro, passou por profundas transformações ao longo do tempo. No século XIX, o atual bairro era considerado uma área nobre da cidade. Com o avanço da urbanização e da industrialização da cidade, o Caju se consolidou como uma área industrial e portuária, além de ser um importante corredor logístico, visível pela presença da Avenida Brasil e da Linha Vermelha.

Ao mesmo tempo, o bairro sofre com graves problemas socioambientais, sendo frequentemente caracterizado como uma zona de sacrifício ambiental por alguns autores. A degradação da Baía de Guanabara, a poluição industrial, a presença de lixões clandestinos e o intenso tráfego de caminhões geram impactos negativos que afetam diretamente a qualidade de vida da população local. É digno de nota que apesar dessa intensa degradação ambiental, a histórica atividade pesqueira do Caju ainda tenta resistir.

Segundo estudo da FIRJAN, em 2003 cerca de 30% da área do bairro era ocupado por favelas, outros 30% por cemitérios e aproximadamente 30% por instalações industriais, militares e logísticas. Apenas 10% permaneceu destinada a espaços públicos e áreas residenciais de classe média baixa.

Entre os maiores espaços do bairro, destacam-se os cemitérios São Francisco Xavier e Memorial do Carmo, a ETE Alegria, a usina de tratamento de resíduos, o antigo Estaleiro Caneco, o antigo Estaleiro Inhaúma e áreas vinculadas ao Porto do Rio de Janeiro.

No mapa abaixo, é possível ver seu uso do solo por quatro importantes atividades em 2019: comércio e serviços (em salmão), industriais (em azul), institucionais (em laranja) e de transporte, que inclui o porto (em preto):

Contudo, uma nova transformação começou a se desenhar no Caju. Em 2022, a área do antigo estaleiro Caneco foi comprada pelo Estado do Rio de Janeiro, que pretende transformá-la em um terminal pesqueiro. Em 2025, foi a vez da área do antigo estaleiro Inhaúma ser adquirida pelo grupo filipino ICTSI. Entre as possibilidades discutidas para aquela espaço, está a implantação de um Terminal de Uso Privativo (TUP). No mesmo ano, sindicalistas também defenderam a conversão da área do antigo estaleiro para desmontagem de navios e plataformas.

Independentemente da solução adotada, observa-se uma mudança importante no bairro. Os antigos estaleiros, anteriormente associados à construção naval e, portanto, às atividades industriais, tendem a ser convertidos para usos vinculados aos serviços portuários. No mapa abaixo, é possível visualizar o uso do solo em 2026, considerando os futuros usos:

Assim, de área nobre, o Caju tornou-se um importante polo industrial e portuário; agora, parte de seus antigos espaços industriais caminha para uma crescente especialização em atividades de serviços portuários.

novembro 07, 2025

Grandes espaços no Rio de Janeiro (RJ)
Grandes espaços no Rio de Janeiro (RJ)

O município do Rio de Janeiro (RJ) apresenta um padrão de ocupação marcado por contrastes acentuados entre áreas densamente urbanizadas e amplos espaços de uso institucional, militar, industrial, de serviços e misto. A análise do OpenStreetMap permite identificar 98 espaços com área superior a 100 mil m² dentro dos limites do município, excluídas as áreas de proteção ambiental, ferroviárias e a quase totalidade dos parques públicos. Antes de as entendermos um pouco melhor, é válido assinalar que esse retrato corresponde a uma representação parcial e aproximada da configuração territorial do Rio, tal como registrada por essa plataforma colaborativa em 11 de dezembro de 2025.

Assim, dos 98 espaços identificados, 47 pertencem ao poder público e 51 são propriedades privadas. A grande presença do Estado como detentor de áreas extensas reflete a centralidade histórica do Rio de Janeiro como sede de funções administrativas e militares.

Entre os espaços públicos, destaca-se a predominância das Forças Armadas, responsáveis por 29 das 45 áreas estatais com mais de 100 mil m². O Exército Brasileiro mantém 12 grandes áreas, distribuídas por diversas zonas da cidade: na Zona Norte, destacam-se a Cidade Universitária, Parque Anchieta e Rocha; na Zona Oeste, aparecem Deodoro, Guaratiba, Magalhães Bastos, Realengo, Santa Cruz e Vila Militar; e na Zona Sul, a Urca. A Força Aérea Brasileira também mantém 11 espaços, com presença em quatro grandes zonas da cidade: no Centro, Zona Norte (Galeão, Maré e Marechal Hermes), Zona Oeste (Campo dos Afonsos, Jardim Sulacap e Santa Cruz) e na Zona Sudoeste (Barra Olímpica). A Marinha do Brasil, por sua vez, ocupa 6 grandes áreas, localizadas no Centro, em bairros da Zona Norte (Cacuia, Freguesia da Ilha do Governador, Parada de Lucas e Penha) e na Zona Oeste (Campo Grande).

Os demais 18 espaços com mais de 100 mil m² pertencem à Prefeitura, ao Governo do Estado do Rio de Janeiro ou à União. Entre os bens municipais, temos o Parque Olímpico, na Barra Olímpica, a Usina de Tratamento de Lixo, no Caju, o Engenhão, no Engenho de Dentro e os aterros sanitários de Gericinó e Santa Cruz. No âmbito estadual, incluem-se a ETE Alegria, no Caju; o antigo estaleiro Caneco, também no Caju; o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), no Campo dos Afonsos e na Vila Militar; o CEASA-RJ, presente em Coelho Neto, Colégio e Irajá; o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Gericinó; e o Maracanã. Por parte da União, aparecem o Aeroporto de Jacarepaguá, na Barra da Tijuca; o Porto do Rio de Janeiro, no Caju, Santo Cristo, Gamboa, Saúde e Centro; o Aeroporto Santos Dumont, no Centro; a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Cidade Universitária; o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão); o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), em Jacarepaguá; e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos.

Os 51 espaços privados com mais de 100 mil m² apresentam um perfil heterogêneo, embora predominem atividades de comércio e serviços, responsáveis por 38 áreas, seguidas por 10 espaços industriais, 2 áreas rurais e 1 de uso misto. Essa predominância de usos terciários reflete o processo de terciarização da economia carioca e a conversão de antigas áreas industriais ou de glebas desocupadas em empreendimentos logísticos, de shopping centers, centros de distribuição e complexos empresariais. As áreas industriais com mais de 100 mil m², embora menos numerosas, mantêm importância estratégica. Elas se distribuem por Manguinhos, na Zona Norte; Campo Grande, Guaratiba, Ilha de Guaratiba, Paciência e Santa Cruz, na Zona Oeste; e Taquara, na Zona Sudoeste. As duas áreas rurais com mais de 100 mil m² identificadas localizam-se em Guaratiba e Recreio dos Bandeirantes. A área mista, conforme apontamos em matéria anterior, se refere ao Centro Metropolitano, com 3,3 km².

A análise da distribuição por zonas administrativas evidencia a amplitude da ocupação por grandes espaços em todo o território carioca. A Zona Central concentra 4 bairros. A Zona Norte, por sua vez, apresenta 24 bairros com grandes espaços, configurando-se como a região com maior diversidade de usos institucionais e privados. A Zona Oeste abriga 12 bairros com áreas extensas, marcada pela presença militar e industrial, enquanto a Zona Sudoeste, com 10 bairros, concentra grandes glebas ligadas a serviços, indústrias e mista. A Zona Sul apresenta apenas três bairros com áreas expressivas - Lagoa, São Conrado e Urca -, reflexo de sua valorização fundiária.

Ao considerar apenas os espaços cuja área alcança a casa dos km², tem-se o seguinte ranking de bairros com maior superfície ocupada: Santa Cruz (27,3 km²), Guaratiba (22,6 km²), Galeão (11,9 km²), Vila Militar (5 km²), Cidade Universitária (4,5 km²), Campo Grande (4,1 km²), Barra Olímpica (3,3 km²), Campo dos Afonsos (3,1 km²), Freguesia da Ilha do Governador (2,3 km²), Pavuna (1,6 km²), Cacuia (1,3 km²), Penha (1,2 km²), Barra da Tijuca (1,2 km²), Recreio dos Bandeirantes (1,2 km²), Deodoro (1,1 km²) e uma área com 3 bairros (11,3 km² da parte carioca do Campo de Instrução de Gericinó) e outra com 5 bairros (1 km² do Porto do Rio de Janeiro). A soma das áreas maiores evidencia a predominância da Zona Oeste, com 67,4 km², seguida pela Zona Norte, com 23,9 km², e pela Zona Sudoeste, com 5,7 km². Nesse cálculo, não contabilizamos a parte carioca do Campo de Instrução de Gericinó, disperso pela Zona Norte e Oeste.

Logo, a análise da presença de grandes espaços no município do Rio de Janeiro revela um padrão de uso do solo fortemente condicionado por heranças institucionais.

Poder público
Tipo Bairro / Área
Militar
(Exército brasileiro)
Cidade Universitária
130 mil m²
Deodoro
1,1 km²
Guaratiba (campo de prova)
14,6 km²
Guaratiba (centro tecnológico)
6,5 km²
Magalhães Bastos
331 mil m²
Parque Anchieta, Realengo e Vila Militar
11,3 km²
Realengo
322 mil m²
Rocha
158 mil m²
Santa Cruz
283 mil m²
Urca (escola de guerra e outras om's)
321 mil m²
Urca (instituto de engenharia e outras om's)
129 mil m²
Vila Militar
5 km²
Militar
(Força Aérea Brasileira)
Barra Olímpica
112 mil m²
Campo dos Afonsos e Jardim Sulacap
3,1 km²
Centro
105 mil m²
Galeão (base aérea e outras om's)
613 mil m²
Galeão (depósito de armamentos)
1,1 km²
Galeão (várias om's)
565 mil m²
Galeão (vila militar)
391 mil m²
Maré
101 mil m²
Marechal Hermes
111 mil m²
Santa Cruz (base aérea e outras om's)
14,7 km²
Santa Cruz (vila militar)
158 mil m²
Militar
(Marinha do Brasil)
Cacuia
1,3 km²
Campo Grande
2,9 km²
Centro
312 mil m²
Freguesia da ilha do Governador
2,3 km²
Parada de Lucas
262 mil m²
Penha
1,2 km²
Outros Barra da Tijuca (aeroporto de Jacarepaguá)
1,2 km²
Barra Olímpica (Parque Olímpico)
761 mil m²
Caju (ETE Alegria)
208 mil m²
Caju (antigo estaleiro Caneco)
137 mil m²
Caju (usina de tratamento de lixo)
111 mil m²
Caju, Santo Cristo, Gamboa, Saúde e Centro (Porto do Rio de Janeiro)
1 km²
Observação: espaço cartografado com shapefile da PortoRio
Campo dos Afonsos e Vila Militar (CFAP)
109 mil m²
Centro (aeroporto Santos Dumont)
737 mil m²
Cidade Universitária (UFRJ e várias empresas)
4,5 km²
Coelho Neto, Colégio e Irajá (CEASA RJ)
727 mil m²
Engenho de Dentro (Engenhão)
221 mil mil m²
Galeão (aeroporto internacional)
10,8 km²
Gericinó (aterro sanitário)
377 mil m²
Gericinó (Complexo Penitenciário)
568 mil m²
Jacarepaguá (Farmanguinhos)
105 mil m²
Manguinhos (FIOCRUZ)
678 mil m²
Maracanã (Maracanã)
211 mil m²
Santa Cruz (aterro sanitário)
165 mil m²

Propriedade privada
Tipo Bairro / Área
Comércio e serviços Anil (Ambev)
109 mil m²
Barra da Tijuca (antiga Terra Encantada)
158 mil m²
Barra da Tijuca (BarraShopping)
239 mil m²
Barra da Tijuca (Campo de Golfe Olímpico)
821 mil m²
Barra da Tijuca (Clube da Aeronáutica)
246 mil m²
Barra da Tijuca (Clube Marapendi)
145 mil m²
Barra da Tijuca (Via Parque)
113 mil m²
Barra Olímpica (Riocentro)
567 mil m²
Barra Olímpica (SESC)
218 mil m²
Caju (antigo estaleiro Inhaúma)
294 mil m²
Caju (cemitérios)
504 mil m²
Cordovil (Cargo Park)
277 mil m²
Cordovil (Petrobras)
187 mil m²
Cordovil (várias empresas)
127 mil m² e 100 mil m²
Curicica e Jacarepaguá (estúdios Globo)
753 mil m²
Guaratiba e Santa Cruz (clube CEU)
101 mil m²
Inhaúma (cemitério de Inhaúma)
233 mil m²
Irajá (cemitério de Irajá)
130 mil m²
Itanhangá (Itanhangá Golf Club)
697 mil m²
Jacarepaguá
179 mil m² e 155 mil m²
Jardim Sulacap (Jardim da Saudade)
197 mil m²
Lagoa (Jockey Club)
629 mil m²
Maria da Graça e Jacarezinho (antiga General Electric)
216 mil m²
Paciência (Guanabara)
143 mil m²
Paciência (Pão de Açúcar)
290 mil m²
Paciência (RB Log)
196 mil m²
Paciência (Renner)
146 mil m²
Parque Colúmbia (várias empresas)
580 mil m²
Pavuna (várias empresas)
1,6 km²
Penha Circular (Mercado São Sebastião)
242 mil m²
Penha Circular (várias empresas)
957 mil m²
Santa Cruz/"Paciência" (Jardim da Saudade)
265 mil m²
São Conrado (Gávea Golf and Country Club)
267 mil m²
Taquara (Roche)
138 mil m²
Vargem Grande (antigo Rio Water Planet)
150 mil m²
Vargem Grande (Haras Pégasus)
246 mil m²
Vargem Grande (Ninho do Urubu)
139 mil m²
Vargem Pequena (Casablanca Estúdios)
209 mil m²
Indústria Campo Grande (Ambev)
1,2 km²
Guaratiba (Michelin)
711 mil m²
Ilha de Guaratiba (Tupperware)
144 mil m²
Manguinhos (Refit)
547 mil m²
Paciência (Metails)
703 mil m²
Santa Cruz (Cosigua)
2,2 km²
Santa Cruz (distrito industrial)
3,8 km²
Santa Cruz (Ternium Brasil)
6,6 km²
Taquara (Coca-Cola)
244 mil m²
Taquara (Merck)
118 mil m²
Misto Barra Olímpica (Centro Metropolitano)
3,3 km²
Rural Guaratiba (Fazenda Mato Alto)
1,5 km²
Recreio dos Bandeirantes (Granja Calábria)
1,2 km²

junho 01, 2025

Centro Metropolitano
Centro Metropolitano

O Centro Metropolitano é um espaço que, a depender da fonte consultada, possui uma extensão entre 4 e aproximadamente 5 km². Levando em consideração a extensão cartografada pela Wikimapia, estamos falando de algo em torno de 3,7 km².

Situado atualmente no novo bairro da Barra Olímpica, criado em 2024, o espaço — que correspondia à Fazenda Engenho D’Água — fez parte, durante longos anos, do bairro de Jacarepaguá, oficialmente desde 1981, quando ocorreu a criação formal dos bairros do Rio de Janeiro (RJ).

Concebido pelo urbanista Lúcio Costa em seu Plano Piloto da Baixada de Jacarepaguá, de 1969, o espaço deveria receber a nova sede do então estado da Guanabara — que corresponde, em termos de extensão e localização, ao atual município do Rio de Janeiro (RJ).

Segundo O Globo (2019):

Como a área não foi desapropriada pelo governo antes da chegada da infraestrutura ao local, os terrenos se valorizaram muito nos anos seguintes, tornando a manobra financeiramente inviável, e o assunto foi esquecido. Atualmente, a área do Centro Metropolitano está quase toda nas mãos de particulares.

Hoje, ainda largamente desocupado, projeta-se para o espaço um uso comercial (shopping center, hotéis, hospitais etc.) e residencial ao mesmo tempo. Em grande parte, essas construções deverão ser feitas pelas empresas que provavelmente detêm a propriedade do espaço, como a Soho, a Tegra Incorporadora e a Carvalho Hosken.

O difícil processo de ocupação do espaço — que impede a construção de edifícios tão altos quanto o desejado — deve-se ao fato de o solo ser predominantemente composto por turfas. No que se refere à vegetação, o shapefile do IBGE indica a presença da Formação Pioneira com influência fluvial e/ou lacustre, típica de áreas sujeitas a inundações provocadas por rios e lagoas. O espaço é cercado pelos arroios Pavuna e Fundo, cursos d’água que reforçam essa característica de solo úmido e contribuem para a drenagem natural do local.

Além disso, há a presença do Aeroporto de Jacarepaguá (que está situado na Barra da Tijuca), o qual reduziu o gabarito por conta da aproximação de aeronaves no sítio aeroportuário mencionado.

janeiro 03, 2025

Complexo de Israel
Complexo de Israel

O Complexo de Israel está situado inteiramente na cidade do Rio de Janeiro (RJ), e em janeiro de 2025, incluía cinco comunidades. O complexo é cortado pela Avenida Brasil. Ao norte, estão situadas as comunidades de Vigário Geral e Parada de Lucas, que são contíguas. Ao sul, encontram-se as comunidades de Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas, que não são contíguas.

De acordo com o Mapa de Favelas do Rio de Janeiro (RJ), elaborado pela Prefeitura do município, os territórios ao norte incluem totalmente o Parque Proletário de Vigário Geral (definido pela mídia simplesmente como Vigário Geral) e também o Parque Jardim Beira Mar (geralmente identificado como Parada de Lucas). Ao sul, estão incluídas quatro comunidades em Cidade Alta (Rua Ponto Chique, Parque Proletário de Cordovil, Serra Pelada e Vila Cambuci), uma em Pica-Pau (Cordovil) e uma em Cinco Bocas (Brás de Pina).

Trata-se de uma área que vem passando por um processo de unificação das comunidades, apesar de seus territórios serem, em sua maioria, não contíguos. Essa unificação está sendo promovida por uma organização criminosa, o Terceiro Comando Puro (TCP), em torno da intrigante figura de um traficante evangélico. Embora a denominação "traficante evangélico" gere debates, o fato é que terreiros têm sido violentamente destruídos e as igrejas católicas têm seu funcionamento limitado no período de festas juninas/julinas, por exemplo.

De maneira mais ampla, pode-se afirmar que a territorialidade do Complexo de Israel ultrapassa os limites de suas comunidades. Nos bairros vizinhos, já se observa uma crescente perseguição a terreiros de Candomblé e Umbanda.

No mapa abaixo, é possível observar as cinco comunidades que compõem o complexo, segundo delimitação feita pelo G1. Observe a proximidade de parte norte do Complexo de Israel com um território da Marinha do Brasil: o Complexo Naval Caxias Meriti.

Além da violência exercida pelo tráfico de drogas, o histórico das comunidades também é marcado pela violência estatal. Enquanto a Cidade Alta foi criada para abrigar moradores removidos de favelas na Zona Sul do Rio de Janeiro (RJ), Vigário Geral ficou internacionalmente conhecida devido a uma chacina na década de 1990.

Outro ponto que chama a atenção no complexo é o fator topográfico. Enquanto as comunidades ao norte estão, em sua maioria, situadas a poucos metros acima do nível do mar, a Cidade Alta, como o próprio nome indica, está localizada a mais de 20 metros acima do nível do mar.

Ou seja, em seu conjunto, o Complexo de Israel abrange territórios que enfrentam a violência tanto do tráfico quanto do Estado.

julho 11, 2024

Os "estádios" do Flamengo
Os "estádios" do Flamengo

Ao longo dos anos, a mídia especulou diversos lugares como possíveis sedes para um estádio do Flamengo.

Na Baixada de Jacarepaguá, dois bairros foram cogitados. Na Barra Olímpica foi considerada uma área onde antes esteve localizado o autódromo de Jacarepaguá, e que atualmente conta com o Parque Olímpico. Já na Barra da Tijuca, o terreno onde ficava o antigo parque aquático Terra Encantada também foi mencionado.

Na Baixada de Sepetiba, um local em Guaratiba foi especulado como possível lugar para um estádio do Flamengo. Atualmente a área tem a perspectiva de receber um autódromo (veja aqui).

E na Baixada da Guanabara, quatro locais foram cogitados, tendo um sido escolhido. Em Deodoro seria no Parque Olímpico homônimo, que foi construído numa área que pertenceu ou pertence ao Exército Brasileiro. No Caju, em plena Avenida Brasil, onde hoje está situado o supermercado Atacadão e a Obramax, foi também considerado como possível sede. Fora dos limites do Rio de Janeiro (RJ), Duque de Caxias (RJ) também foi mencionado como uma opção, embora o local pertença à Marinha do Brasil. E, finalmente, São Cristóvão, onde antes funcionou o Gasômetro, foi o local escolhido.

Verifique todas essas localizações:

Já no mapa abaixo, é possível visualizar a área que muito provavelmente receberá o estádio.

junho 04, 2024

Os "autódromos" do Rio de Janeiro (RJ)
Os "autódromos" do Rio de Janeiro (RJ)

No dia 29/05/2024, um novo capítulo na relação do Rio de Janeiro (RJ) com o automobilismo começou a ser escrito. Segundo noticiado pela imprensa, foi definida uma nova área para a construção de um autódromo no bairro de Guaratiba. O estado já contou com um autódromo em Jacarepaguá, mas o espaço foi definitivamente convertido em Parque Olímpico devido às Olimpíadas de 2016. Quase simultaneamente ao fechamento de Jacarepaguá, outra área chegou a ser escolhida para receber um novo circuito, em Deodoro. Entretanto, o projeto se mostrou inviável, pois o local abriga a floresta do Camboatá. Assim, após o descarte dessa proposta em 2021, surgiu a atual alternativa em Guaratiba, anunciada na data citada no início do texto.

A seguir, apresentamos as características ambientais das três áreas: a Barra Olímpica (“Jacarepaguá”), onde o autódromo existiu; Deodoro, onde quase foi construído; e Guaratiba, possível sede futura. No mapa abaixo, é possível localizar cada um desses pontos.

Barra Olímpica

Localizado às margens da Lagoa de Jacarepaguá, o antigo autódromo estava inserido na Baixada de Jacarepaguá e Lagoas Costeiras, mais precisamente no Cabo Pombeba. A posição geográfica fazia com que o equipamento - hoje substituído pelo Parque Olímpico - estivesse sujeito a inundações, como já ocorreu em diferentes áreas do entorno, entre elas a Vila Residencial Aeronáutica de Jacarepaguá, especialmente em períodos de chuvas intensas ou marés altas.

Do ponto de vista geomorfológico, o autódromo integrava a Planície Litorânea do Brasil. Com a elevação global do nível do mar, essa região tende a ser afetada de modo geral. No entanto, de acordo com simulações de aumento de 1 metro - projeção apontada pela ONU para ocorrer até 2100 -, a área do antigo autódromo não sofreria impactos diretos significativos. Ainda assim, os problemas ambientais já existentes na lagoa, como o assoreamento e a consequente proliferação de cianobactérias - responsável pelo odor característico - tendem a se intensificar, uma vez que não há ações eficazes para reverter esse quadro.

Deodoro

Situada entre os maciços da Tijuca, Pedra Branca e Mendanha, a área que mais gerou polêmicas quanto à implantação de um autódromo integra a Baixada da Guanabara.

Geomorfologicamente, o terreno está inserido nas Colinas e Morros da Depressão da Guanabara e apresenta altitude superior à das planícies litorâneas do Rio de Janeiro (RJ).

A Floresta do Camboatá, que ocupa o local cogitado para a construção do circuito, apesar de atualmente classificada como vegetação secundária, corresponde originalmente a uma Floresta Ombrófila de Terras Baixas. Sua eliminação representaria uma perda grave: além de privar a cidade possivelmente de sua última floresta desse tipo, contribuiria para o aumento das temperaturas em uma região que já registra os maiores índices térmicos do município.

Abaixo, segue um vídeo curto sobre a Floresta do Camboatá:

Guaratiba

A última área analisada também se situa na Planície Litorânea, integrando a Baixada de Sepetiba. O local já foi alvo de diferentes propostas de uso, como o Campus Fidei, o especulado estádio do Flamengo e o REP Festival.

Entre as três áreas avaliadas, esta oferece a menor durabilidade para qualquer infraestrutura de grande porte. A presença de um tipo de solo específico (Gleissolo Sálico) e de uma antiga faixa de manguezal (Formação Pioneira com influência fluviomarinha) levanta dúvidas quanto à viabilidade de um autódromo em um relevo marcado por várzeas e ambientes alagadiços.

A situação se agrava diante das projeções de elevação de 1 metro no nível do mar até 2100: segundo a simulação apresentada no mapa, caso o autódromo seja construído ali, sua área seria totalmente comprometida.

Em síntese, todos os espaços que abrigaram, poderiam abrigar ou foram cogitadas para receber um autódromo no Rio de Janeiro (RJ) apresentam sérios entraves ambientais: dois associados à elevação do nível do mar (Jacarepaguá e Guaratiba) e um ao aumento das temperaturas (Deodoro). Diante do cenário projetado para 2100, qualquer uma dessas estruturas teria sua funcionalidade fortemente comprometida pela nova realidade climática do planeta.