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junho 09, 2026

Zona da Leopoldina
Zona da Leopoldina

A Zona da Leopoldina é uma região histórica situada no Rio de Janeiro, formada por um conjunto de bairros que compartilham uma trajetória marcada pela influência da ferrovia. Embora não constitua uma divisão administrativa oficial do município, a zona permanece fortemente presente no imaginário sobre as regiões cariocas.

Os limites da Zona da Leopoldina variam conforme a fonte consultada. Reportagem do jornal O Globo inclui os bairros de Manguinhos, Bonsucesso, Ramos, Olaria, Penha, Penha Circular, Vila Cosmos, Vila da Penha, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas, Vigário Geral e Jardim América. Outras referências ampliam essa delimitação, incorporando também bairros como Caju, São Cristóvão e Benfica. Em conjunto, trata-se de uma extensa área urbana de aproximadamente 39,7 km².

Do ponto de vista físico, a maior parte da Zona da Leopoldina encontra-se inserida na Baixada da Guanabara, uma ampla região de relevo baixo que acompanha o entorno da Baía de Guanabara. Entretanto, alguns trechos avançam sobre a Serra da Misericórdia, conjunto de morros que se destaca na paisagem local e que abriga importantes comunidades.

A origem do nome está diretamente associada à antiga Estrada de Ferro Leopoldina, construída ainda durante o período imperial. A ferrovia desempenhou papel fundamental na integração dos bairros da região, facilitando a circulação de pessoas e mercadorias e impulsionando o crescimento urbano. Durante décadas, as estações ferroviárias serviram como os principais pontos de referência da vida cotidiana.

A força simbólica dessa ligação permanece viva até os dias atuais. Um dos exemplos mais conhecidos é a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, cuja própria denominação homenageia a antiga ferrovia. Em seu pavilhão, onze estrelas representam os bairros ligados pelas estações da linha férrea que atravessa a região: Manguinhos, Bonsucesso, Ramos, Olaria, Penha, Penha Circular, Vila da Penha, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral.

Antes da construção da Avenida Brasil, a região possuía características bastante diferentes das atuais. Diversos bairros atraíam moradores de classe média e classe média alta em busca de terrenos amplos. A inauguração da Avenida Brasil modificou profundamente essa dinâmica. Grandes áreas passaram a ser destinadas a atividades industriais, logísticas e de serviços, transformando a região em um dos principais corredores produtivos da cidade.

A partir da década de 1960, e com maior intensidade durante o Regime Militar, a Zona da Leopoldina passou a receber parte significativa da população removida de outras áreas do Rio de Janeiro, especialmente da Zona Sul. As políticas de remoção de favelas deslocaram milhares de famílias para bairros da Zona Norte. Muitos migrantes ocuparam áreas industriais pouco utilizadas, margens da Baía de Guanabara e encostas da Serra da Misericórdia, contribuindo para o crescimento de comunidades que mais tarde formariam grandes complexos urbanos. Outros foram direcionados para conjuntos habitacionais planejados ou para Centros de Habitação Provisória, que acabaram se tornando assentamentos permanentes.

Nas século XXI, a desindustrialização e a crise econômica agravaram os problemas da região, deixando marcas visíveis em diversos bairros. Atualmente, a região também enfrenta graves problemas de segurança pública. Diversas áreas convivem sob o poder de organizações criminosas (veja um exemplo aqui), além de recorrentes operações policiais ocorrerem na região (veja um exemplo aqui).

junho 08, 2026

Vale do Paraíba
Vale do Paraíba

A definição do Vale do Paraíba não é consensual. Ao consultar diferentes mapas e propostas de regionalização, observa-se a existência de distintos traçados para delimitar essa região histórica.

Uma das definições mais difundidas é a adotada pela Wikipédia, segundo a qual o Vale do Paraíba abrange a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, no estado de São Paulo, e a antiga região do Sul Fluminense, no estado do Rio de Janeiro. Essa interpretação, contudo, suscita questionamentos, pois inclui áreas que não pertencem à bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, como o Litoral Norte paulista e os municípios fluminenses de Angra dos Reis e Paraty.

Uma segunda proposta consiste em considerar apenas as áreas correspondentes ao Vale do Paraíba Paulista e ao Vale do Paraíba Fluminense, definidas na antiga regionalização do IBGE baseada em mesorregiões e microrregiões. Embora mais restrita, essa delimitação também apresenta limitações, já que a mesorregião do Vale do Paraíba Paulista incorpora municípios litorâneos que não integram a bacia do Paraíba do Sul.

Diante dessas inconsistências, uma alternativa considerada mais precisa é combinar critérios históricos e físicos. Nessa perspectiva, a delimitação regional resulta da interseção entre as antigas mesorregiões e microrregiões do IBGE e a bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, principal elemento natural responsável pela formação do vale.

Sob esse enfoque, o Vale do Paraíba pode ser compreendido como uma região que se estende ao longo do curso do rio Paraíba do Sul, situando-se entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Essa posição geográfica confere ao vale características naturais próprias e contribuiu para sua ocupação histórica.

O Vale do Paraíba adquiriu grande relevância durante o ciclo do café no século XIX, destacou-se posteriormente pelo processo de industrialização e, atualmente, constitui um dos principais eixos econômicos do Sudeste brasileiro. Assim, embora existam diferentes formas de delimitar sua área, a utilização conjunta da bacia hidrográfica do Paraíba do Sul e dos critérios históricos oferece uma interpretação mais consistente da extensão territorial do Vale do Paraíba.

abril 11, 2026

Zona Sudoeste
Zona Sudoeste

A chamada zona Sudoeste do município do Rio de Janeiro é uma divisão territorial recente, instituída em setembro de 2025 a partir do desmembramento da zona Oeste. Com uma área continental de aproximadamente 294 km², essa nova zona administrativa reúne um conjunto bastante diverso de estruturas geomorfológicas.

A maior parte do território ocupado da zona Sudoeste corresponde à Baixada de Jacarepaguá, extensa área de relevo mais baixo que se destaca pela presença de lagoas e planícies. No entanto, limitar a região apenas à baixada seria um equívoco, já que sua configuração territorial incorpora também porções significativas de áreas elevadas. Isso ocorre porque os bairros incluídos nessa nova zona incluem parte de dois maciços que estruturam o relevo carioca.

Nesse sentido, trechos importantes do Maciço da Tijuca e do Maciço da Pedra Branca estão situados na zona Sudoeste. Soma-se a isso a inclusão de segmentos da Serra do Engenho Velho e da Serra do Valqueire, tratadas aqui no blog como uma pequena região geomorfológica (veja aqui).

Curiosamente, a delimitação da zona Sudoeste não seguiu de forma rigorosa critérios estritamente geomorfológicos ou mesmo de hidrografia. Por razões ainda pouco claras, foram incorporadas áreas que drenam para a Baía de Guanabara, enquanto a "essência" da Zona Sudoeste drena para o sistema lagunar de Jacarepaguá e, posteriormente, para o oceano. Esse movimento resultou na inclusão de Vila Valqueire e Praça Seca, que estão situados principalmente na Baixada da Guanabara.

De forma mais detalhada, a zona Sudoeste pode ser compreendida a partir de quatro grandes unidades morfoesculturais. Os maciços costeiros - representados pelos maciços da Tijuca e da Pedra Branca - formam as áreas mais elevadas e os divisores de água da região. Os alinhamentos serranos isolados e os chamados “pães-de-açúcar” aparecem de forma mais pontual, ocupando a menor extensão territorial, geralmente próximos à planície litorânea. Já as depressões marginais se distribuem atrás dos sistemas lagunares de Jacarepaguá e da Tijuca, configurando áreas rebaixadas em relação aos maciços. Por fim, há as planícies, tanto litorânea quanto fluviomarinha, sendo a primeira presente na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes.

Do ponto de vista urbanístico e histórico, a zona Sudoeste corresponde, em grande medida, ao chamado Sertão Carioca, expressão que designava as áreas mais interioranas, rurais e pouco integradas à malha urbana consolidada do Rio de Janeiro (RJ). Sua ocupação mais intensa é relativamente recente, ganhando impulso sobretudo a partir das décadas de 1960 e 1970, quando projetos de expansão urbana, abertura de vias e valorização imobiliária passaram a incorporar progressivamente essas áreas ao tecido metropolitano, redefinindo profundamente sua paisagem e suas funções dentro da cidade.

abril 20, 2025

Outras regiões cariocas II
Outras regiões cariocas II

O município do Rio de Janeiro (RJ), como já exploramos em uma postagem anterior do nosso blog, está organizado em seis grandes regiões geomorfológicas, que incluem três baixadas – a Baixada da Guanabara (ou Fluminense), a Baixada de Jacarepaguá e Lagoas Costeiras e a Baixada de Sepetiba/Santa Cruz – e três maciços – Tijuca, Pedra Branca e Gericinó/Mendanha.

No entanto, uma análise mais detalhada do relevo carioca revela a existência de outras unidades geomorfológicas isoladas que merecem ser interpretadas como regiões distintas. Algumas delas já foram tratadas pontualmente em nosso blog. Foi o caso, por exemplo, das serras do Quitungo, do Retiro e da Posse, abordadas na postagem Alguns divisores da Baixada da Guanabara e de Sepetiba. Da mesma forma, explicamos anteriormente a Serra do Valqueire, que faz parte de um compartimento maior dos Maciços Costeiros Fluminenses, ao lado da Serra do Engenho Velho, esta última ainda não discutida.

É importante alertar, no entanto, que os nomes utilizados para essas regiões não seguem a nomenclatura científica nem o uso cotidiano do carioca. Foram expressões que nós criamos. Por isso, o leitor deve encarar tais nomes como úteis somente para a abordagem que adotamos em nosso blog.

Também vale destacar que algumas dessas regiões geomorfológicas "adicionais" podem estar dentro dos limites das seis grandes regiões já abordadas na postagem original – Outras regiões cariocas. Assim, não se trata de contrapor ou substituir a regionalização que fizemos anteriormente, mas de enriquecer a leitura do espaço carioca a partir de suas complexidades locais.

Com base nesse raciocínio, apresentamos aqui as sete outras regiões geomorfológicas do município do Rio de Janeiro, segundo o critério interpretativo adotado pelo nosso blog:

  1. Alguns divisores da Baixada da Guanabara e de Sepetiba: reúne a Serra do Quitungo, a Serra do Retiro e a Serra da Posse;
  2. Alguns divisores da Baixada da Guanabara e de Jacarepaguá: inclui a Serra do Engenho Velho e a Serra do Valqueire;
  3. Planície isolada da Zona Oeste: referente à planície litorânea de Grumari;
  4. Planície isolada da Zona Sul: referente à planície litorânea que circunda a Lagoa Rodrigo de Freitas, além de Copacabana;
  5. Serra isolada da Baixada da Guanabara: correspondente à Serra da Misericórdia;
  6. Serra isolada da Baixada de Sepetiba: representada pela Serra da Paciência;
  7. Serras isoladas da Baixada de Sepetiba: que inclui a Serra de Inhoaíba, a Serra de Santa Eugênia, a Serra do Cantagalo e a Serra da Capoeira Grande.

Essas sete regiões contribuem para a compreensão da complexa geomorfologia do Rio de Janeiro, especialmente no que diz respeito às serras, pois elas condicionam o sistema de drenagem e influenciam diretamente o adensamento urbano.

Ainda no que se refere às serras, diversas obras viárias foram implantadas em algumas delas. Podemos citar, por exemplo: o Anel Viário de Campo Grande, que incluirá um túnel na Serra da Posse (item 1 no mapa); a Transolímpica, com um túnel na Serra do Engenho Velho (item 2); o Teleférico do Alemão, localizado na Serra da Misericórdia (item 5); e a Transoeste, que atravessa o espaço entre a Serra da Capoeira Grande e a Serra do Cantagalo, passando nas proximidades do Morro de Santa Clara, um morrote isolado (item 7 no mapa).

junho 08, 2024

Outras regiões cariocas
Outras regiões cariocas

Segundo o geógrafo Claudio Egler, a geo-história do Rio de Janeiro (RJ) pode ser descrita como um processo de ocupação de três baixadas, a da Guanabara, Jacarepaguá (chamada pelo referidor autor de Jacarepaguá e Lagoas Costeiras) e de Sepetiba. Delimitando essas três baixadas estão os maciços do Gericinó-Mendanha, da Pedra Branca e da Tijuca.

Buscando conhecer os limites de cada uma dessas regiões, nos deparamos com um problema. Por um lado, se é fácil encontrar mapas na internet que identificam esses maciços, o mesmo não pode ser dito de tais baixadas.

Diante desse situação, o blog resolveu fazer um esboço da regionalização do Rio de Janeiro (RJ) baseado nas seis regiões (três baixadas e três maciços) anteriormente citadas. Todos os dados que utilizamos são baseados no shapefile de geomorfologia do município do Rio de Janeiro (RJ), retirados do site do BDIA (Banco de Dados e Informações Ambientais) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Nela, consideramos como baixada não somente as unidades geomorfológicas de Planícies litorâneas e Planícies e Terraços Fluviais, mas também as unidades geomorfológicas conhecidas como Colinas e Morros da Depressão da Guanabara. Embora essa inclusão não seja correta do ponto de vista geomorfológico, optamos por adotá-la a fim de conferir maior continuidade espacial às regiões delimitadas.

Baixada da Guanabara

Região que não se limita ao Rio de Janeiro (RJ), a Baixada da Guanabara é formada em sua maior parte pela unidade geomorfológica das Colinas e Morros da Depressão da Guanabara. Constam dela ainda compartimentos das Planícies Litorâneas brasileiras, que perfazem grandemente sua linha de contato com a Baía da Guanabara, e um compartimento de Planícies e Terraços Fluviais, localizado a oeste.

Contudo, é válido observar que no interior dessa região há um exemplar dos Maciços Costeiros Fluminense (a Serra da Misericórdia), o que leva essa região a não incluir todas as áreas no interior do seu perímetro.

Baixada de Jacarepaguá

Região inteiramente carioca, a Baixada da Jacarepaguá é formada em sua maior parte pela unidade geomorfológica das Planícies Litorâneas brasileiras. Entretanto, em seu setor nordeste, constam duas unidades das Colinas e Morros da Depressão da Guanabara, separadas por um compartimento de Planícies e Terraços Fluviais.

(...) região situada entre os maciços da Tijuca e da Pedra Branca e o oceano, compreendendo: a extensa planície recém-formada de terras firmes entremeadas de turfa, na qual se desenvolvem atividades agrícolas e pastoris: a restinga e a faixa litorânea paludosa que vai da Ponta de Juatinga (...) ao morro do Rangel, com seus campos, matas tropófilas, sacos, igapós, ilhas, pontais, pântanos insulares, charcos salgados e paludes de águas doces captadas das vertentes das serras do Barata, Engenho Velho, Prêtos Forros e Três Rios - serras essas que fecham a complexa bacia hidrográfica da baixada onde se vêem intercaladas as lagoas de Jacarepaguá, Camurim (...), Tijuca e, mais próximo da praia, separada destas pela restinga de Itapeba (...), a de Marapendi. (Silva, 1962, p. 64).

Baixada de Sepetiba

Região que não se limita ao Rio de Janeiro (RJ), a Baixada da Sepetiba é formada em sua maior parte pela unidade geomorfológica das Planícies Litorâneas brasileiras, que perfazem grandemente sua linha de contato com a Baía de Sepetiba. Constam ainda compartimentos de Colinas e Morros da Depressão da Guanabara, além das Planícies e Terraços Fluviais.

Contudo, é válido observar que no interior dessa região há dois exemplares dos Maciços Costeiros Fluminense (um primeiro bloco formado pela Serra da Paciência, mais a norte; um segundo bloco, mais a sul, formado pelas Serras de Inhoaíba, de Santa Eugênia, do Cantagalo e da Serra da Capoeira Grande, em sentido anti-horário), o que leva essa região a não incluir todas as áreas no interior do seu perímetro.

Maciço da Pedra Branca

Região inteiramente carioca, o Maciço da Pedra Branca é formado apenas por uma unidade geomorfológica dos Maciços Costeiros Fluminense.

De sua porção mais central partem inúmeras serras e vales em diversas direções, destacando-se: serra de Guaratiba, que se estende aproximadamente por 18 km até chegar à Barra de Guaratiba, onde se encontram os morros dos Caboclos (398 m), Toca Grande (557 m) e o pico do Morgado (398 m); serra do Quilombo, na qual está inserido o morro do próprio nome (689 m) e o morro de Santa Bárbara (857 m); serra do Nogueira na porção SE; serra do Barata e a serra de Bangu, no extremo norte do maciço (Costa, 1986). (Otaviano, Lima e Costa, 1999, p. 71).

Maciço da Tijuca

Região inteiramente carioca, o Maciço da Tijuca é formado apenas por uma unidade geomorfológica dos Maciços Costeiros Fluminense.

Maciço do Gericinó-Mendanha

Região que não se limita ao Rio de Janeiro (RJ), o Maciço do Gericinó-Mendanha, no município citado, é formado apenas por um fragmento de uma unidade geomorfológica dos Maciços Costeiros Fluminense.