março 07, 2026

O Sistema Costeiro-Marinho da Região Metropolitana do Rio de Janeiro
O Sistema Costeiro-Marinho da Região Metropolitana do Rio de Janeiro

O Sistema Costeiro-Marinho brasileiro, conforme definido pelo IBGE, abrange áreas continentais diretamente influenciadas por processos marinhos e fluviomarinhos. Diferentemente dos grandes biomas tradicionalmente reconhecidos, esse sistema se sobrepõe a eles, ocupando cerca de 1,7% do território nacional. Sua delimitação é resultado de uma análise integrada de mapeamentos geológicos, geomorfológicos e de vegetação, com ênfase especial em classes associadas a planícies costeiras, estuários, restingas e manguezais.

Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a área continental desse sistema se manifesta de maneira bastante evidente no entorno de grandes baías.

Seu contorno é extremamente semelhante a área de inundação projetada pelo mapa Water Level do Climate Central, considerando um cenário de elevação do nível do mar em 4 metros, conforme ilustrado no mapa abaixo:

Essa informação se revela especialmente relevante à luz dos estudos de Elmo da Silva Amador sobre a evolução da baía de Guanabara:

(...) o máximo transgressivo holocênico só é alcançado no chamado ótimo climático (...), entre 6000 e 5000 anos A.P., quando o nível do mar atinge uma posição entre 4 e 3 metros acima do atual.
(...) No seu máximo avanço, a antiga bacia fluvial da Guanabara foi inteiramente afogada. O mar, avançando pelos canais fluviais antigos, atingiu a base da Serra do Mar e o maciço litorâneo (...). Posições atualmente situadas a mais de 30 km do litoral eram alcançadas por águas marinhas. Falésias foram produzidas nos sedimentos cenozoicos das Formações Macacu (...), e Caceribu (...) que se dispunham morfologicamente como tabuleiros e terraços, enquanto o embasamento cristalino, principalmente na entrada da baía, era exposto diretamente à ação das vagas, gerando costões, pontões e pães de açúcar. (Amador, 2012, p. 205).

Com o afogamento marinho, todos os pequenos vales fluviais foram transformados em enseadas e sacos, reentrâncias que seriam posteriormente ornamentadas por restingas e praias.
O litoral de então era extremamente irregular e entrecortado, dominado por rias e ilhas. Os morrotes e colinas modelados em ciclos erosivos anteriores e situados no antigo vale fluvial foram transformados em ilhas, em número superior a 200. O conjunto de relevo representado pelos Morros do Pão de Açúcar, Cara de Cão, Cantagalo e Babilônia, bem como o Morro da Viúva e os antigos morros históricos do centro da cidade (Castelo, Santo Antônio, Conceição São Bento), entre outros, tinham uma condição insular. O mar "lambia" diretamente a base do Corcovado e todo o litoral rochoso. Copacabana, Ipanema, Leblon, Botafogo, Flamengo, Itaipu, Icaraí, entre outras restingas, não existiam (...). No Máximo Transgressivo Holocênico, a área da Baía de Guanabara era de cerca de 800 km2 (o dobro da superfície atual). (Amador, 2012, p. 207).

As profundidades da baía eram, no mínimo, em média 5 metros superiores às atuais (excetuando os talvergues que conseguiram conservar por efeito da circulação e balanço negativo de sedimentação). (Amador, 2012, p. 208).

As baleias, os botos e uma grande variedade de organismos marinhos, nectônicos, frequentavam a baía. Com a inexistência de ecossistemas periféricos, como manguezais, lagunas e brejos, a produtividade biológica da baía ainda era baixa. (Amador, 2012, p. 209).

A seguir, apresenta-se a representação elaborada por Elmo da Silva Amador para a configuração da baía de Guanabara durante o período mencionado:

Cenário referente ao Máximo Transgressivo Holocênico (entre 6000 e 5000 anos A.P.)
2012
Elmo da Silva Amador

Observa-se que a delimitação atual das áreas continentais do Sistema Costeiro-Marinho da RMRJ na baía de Guanabara corresponde, em linhas gerais, à configuração representada por Amador, embora apresente algumas diferenças sutis.

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