A chamada zona Sudoeste do município do Rio de Janeiro é uma divisão territorial recente, instituída em setembro de 2025 a partir do desmembramento da zona Oeste. Com uma área continental de aproximadamente 294 km², essa nova zona administrativa reúne um conjunto bastante diverso de estruturas geomorfológicas.
A maior parte do território ocupado da zona Sudoeste corresponde à Baixada de Jacarepaguá, extensa área de relevo mais baixo que se destaca pela presença de lagoas, planícies e forte urbanização recente, especialmente nos bairros da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes. No entanto, limitar a região apenas à baixada seria um equívoco, já que sua configuração territorial incorpora também porções significativas de áreas elevadas. Isso ocorre porque os bairros incluídos nessa nova zona não se restringem às áreas planas, mas avançam sobre encostas e maciços que estruturam o relevo carioca.
Nesse sentido, destacam-se trechos importantes do Maciço da Tijuca e do Maciço da Pedra Branca, duas grandes unidades montanhosas que condicionam tanto a ocupação quanto a dinâmica ambiental da região. Soma-se a isso a inclusão de segmentos da Serra do Engenho Velho e da Serra do Valqueire, tratadas aqui no blog como uma pequena região geomorfológica (veja aqui).
Curiosamente, a delimitação da zona Sudoeste não seguiu de forma rigorosa critérios estritamente geomorfológicos ou mesmo de hidrografia. Por razões ainda pouco claras, foram incorporadas áreas que drenam para a Baía de Guanabara, enquanto a "essência" da Zona Sudoeste drena para o sistema lagunar de Jacarepaguá e, posteriormente, para o oceano. Esse movimento resultou na inclusão de Vila Valqueire e Praça Seca, que estão situados principalmente na Baixada da Guanabara.
Sob a ótica geomorfológica, a zona Sudoeste pode ser compreendida a partir de quatro grandes unidades morfoesculturais. Os maciços costeiros - representados pelos maciços da Tijuca e da Pedra Branca - formam as áreas mais elevadas e os divisores de água da região. Os alinhamentos serranos isolados e os chamados “pães-de-açúcar” aparecem de forma mais pontual, ocupando a menor extensão territorial, geralmente próximos à planície litorânea. Já as depressões marginais se distribuem atrás dos sistemas lagunares de Jacarepaguá e da Tijuca, configurando áreas rebaixadas em relação aos maciços. Por fim, há as planícies, tanto litorânea quanto fluviomarinha, sendo a primeira presente na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes.
Do ponto de vista urbanístico e histórico, a zona Sudoeste corresponde, em grande medida, ao chamado Sertão Carioca, expressão que designava as áreas mais interioranas, rurais e pouco integradas à malha urbana consolidada do Rio de Janeiro (RJ). Sua ocupação mais intensa é relativamente recente, ganhando impulso sobretudo a partir das décadas de 1960 e 1970, quando projetos de expansão urbana, abertura de vias e valorização imobiliária passaram a incorporar progressivamente essas áreas ao tecido metropolitano, redefinindo profundamente sua paisagem e suas funções dentro da cidade.
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