A localidade de Itereré ocupa uma posição singular na geografia da Ecorregião de São Tomé. É ali que o rio Paraíba do Sul deixa os relevos mais elevados da zona serrana e passa a percorrer a maior das planícies da ecorregião.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a área serrana integra, do ponto de vista morfoestrutural, o Cinturão Orogênico do Atlântico. No mapa abaixo, elaborado pelo IBGE para o município de Campos dos Goytacazes (RJ), é possível visualizar a área ocupada pelos Cinturões Móveis Neoproterozoicos (em marrom), cuja delimitação é um pouco menos precisa do que a definição morfoestrutural adotada pelo SGB. Em amarelo, estão os Depósitos Sedimentares Quaternários, o que inclui as diversas planícies (de inundação, fluviomarinhas, lagunares e marinhas) do município citado.
O Neoproterozoico é a última era do éon Proterozoico, abrangendo aproximadamente entre 1 bilhão e 541 milhões de anos atrás. É um período crucial na história da Terra, marcado pela formação e fragmentação do supercontinente Rodínia e o surgimento dos primeiros animais multicelulares. (Google). O Quaternário é o período geológico atual da Terra, iniciado há cerca de 2,6 milhões de anos. É subdividido nas épocas Pleistoceno e Holoceno, caracterizado pelas glaciações, evolução do clima e o surgimento da espécie humana.
É em Itereré, no entanto, que a planície de inundação começa a se expandir consideravelmente. O rio passa então a percorrer terras baixas que, como bem observou o historiador natural Arthur Soffiati, ele próprio ajudou a formar. A origem dessa paisagem remonta às grandes oscilações do nível do mar. Entre aproximadamente 7.000 e 5.100 a.C., uma importante transgressão marinha avançou sobre o continente, fazendo com que o mar alcançasse a base da zona serrana na altura de Itereré - que era então a foz do rio Paraíba do Sul.
Mais tarde, com a regressão marinha e a consequente diminuição do nível dos oceanos, enormes quantidades de sedimentos foram depositadas pelo rio Paraíba do Sul sobre a área antes ocupada por águas marinhas rasas. Assim se formou a maior das planícies da Ecorregião de São Tomé. Toda essa obra natural recebeu, no século XX, a companhia de uma obra humana: a construção de diques entre Itereré e a cidade de Campos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário