A Ecorregião de São Tomé já foi delimitada de diferentes maneiras por Arthur Soffiati. No livro Os Manguezais do Sul do Espírito Santo e do Norte do Rio de Janeiro, publicado em 2009, o autor situou seus limites entre os rios Itapemirim e das Ostras, admitindo a possibilidade de extensão até o rio São João.
Em um artigo de maio de 2026, Ecorregião de São Tomé: demarcando o território, um de seus trabalhos mais recentes, Soffiati definiu a ecorregião entre os rios Itapemirim e Macaé. Essa parece ser a formulação mais amadurecida e consistente de seus limites, adotada pelo ecólogo há bastante tempo e utilizada inclusive por nós aqui no blog.
Nesse mesmo artigo ainda, o autor retoma uma ideia já presente em trabalhos anteriores: “(...) não basta a zona costeira para caracterizar a ecorregião de São Tomé.” Desenvolvendo esse raciocínio, afirma que “Serras altas e baixas, tabuleiros e planície. Esses são os três patamares da Ecorregião de São Tomé.”
Na tentativa de compreender melhor esses limites, o próprio Soffiati oferece, em um artigo de março de 2026 - Mudanças climáticas na Ecorregião de São Tomé -, um importante critério para definir parcialmente suas fronteiras. Segundo ele, “Os rios são os elos entre a zona serrana, os tabuleiros e as planícies.”. Em seguida, enumera esses cursos d’água: “Quais são estes rios? Itapemirim, Itabapoana, Guaxindiba, Paraíba do Sul e seus afluentes Muriaé, Pomba, Preto e Grande, o complexo hídrico de Ururaí e Macaé.”.
Ao confrontar essa definição com o shapefile de bacias hidrográficas do IBGE, surgem alguns desafios. O primeiro diz respeito à bacia do rio Paraíba do Sul. Entre todas as mencionadas por Soffiati, ela é a única classificada pelo IBGE como bacia de nível 4, enquanto as demais correspondem aos níveis 5 ou 6. Das de nível 5, três (Muriaé, Pomba e Grande) são sub-bacias do próprio Paraíba do Sul. Por esse motivo, optamos por não representar a bacia do Paraíba do Sul no mapa abaixo, uma vez que ela se estende até o estado de São Paulo e parte de suas sub-bacias já está contemplada na delimitação proposta para a ecorregião.
O segundo desafio consistiu em decidir se determinadas bacias não mencionadas explicitamente por Soffiati deveriam ou não ser incluídas. A bacia do rio Imbé, que muito provavelmente corresponde ao complexo hídrico de Ururaí, foi prontamente incorporada. Também foram incluídas, sem maiores dúvidas, as bacias costeiras situadas entre os rios Itapemirim e Macaé. Restou, contudo, uma indefinição quanto à sub-bacia de nível 6 do rio do Colégio, integrante da bacia do Paraíba do Sul.
Recorremos, então, novamente a um trabalho de Soffiati. No artigo Chuvas e estiagens na ecorregião de São Tomé: o caso da Baixada dos Goytacazes, o autor faz referência nominal ao rio do Colégio, corroborando o que a própria análise cartográfica já indicava: a integração dessa sub-bacia à ecorregião. O resultado pode ser observado no mapa das bacias hidrográficas da Ecorregião de São Tomé apresentado a seguir:
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