Em texto publicado em 2010, afirma-se que a reaproximação diplomática do Brasil com a África durante os dois primeiros governos Lula criou condições favoráveis para a abertura de mercados para a indústria brasileira de defesa.
Segundo o autor, essa política decorreu tanto de mudanças governamentais na política externa brasileira, em especial do fortalecimento das relações Sul-Sul, quanto de objetivos estratégicos do Estado brasileiro relacionados ao Atlântico Sul e à busca por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.
O artigo cita cinco países com os quais havia negociações para a venda de equipamentos militares ou para cooperação industrial. Entretanto, ao reavaliarmos essas tratativas, verificamos que a maior parte dos resultados ficou aquém das expectativas iniciais. Na tabela a seguir, classificamos, país por país, o desfecho de cada situação.
| País | Mencionados em 2010 | Realidade em 2026 |
| África do Sul | Desenvolvimento conjunto do míssil A-Darter e possibilidade de cooperação em projetos de mísseis navais | Míssil A-Darter não foi industrializado no Brasil e não houve projetos conjuntos na área de mísseis navais |
| Angola | Negociações envolvendo sistema de vigilância marítima da Atech e aeronaves Super Tucano | Sucesso na venda de Super Tucano em 2012 |
| Argélia | Atech e Odebrecht disputavam contrato para construção de um centro de desenvolvimento de armas | As empresas não ganharam o contrato |
| Gana | Manifestação de interesse por uma corveta classe Barroso | Interesse não se materializou em aquisição |
| Guiné Equatorial | Interesse na aquisição de uma corveta classe Barroso | Não ocorreu a aquisição |
- sistemas de comando e controle da Atech para a Mauritânia;
- aeronaves Embraer Super Tucano para Angola e Burkina Faso, em 2012; Mali, com entrega em 2016; Mauritânia, com entrega em 2012; Nigéria, em 2019; Senegal, em 2013; e, possivelmente, Gana, em 2015.
Além disso, desde 2007, Angola utiliza um Legacy 600. Quanto a novas especulações de vendas, elas dizem respeito a sistemas de vigilância da Atech e a navios-patrulha (provavelmente das classes Grajaú e Macaé) para o Senegal. No caso de Angola, a possível venda desse sistema de vigilância voltou a ser mencionada em 2013; contudo, não encontramos comprovação de que o país efetivamente utilize o sistema da Atech.
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