junho 14, 2026

As relações da indústria brasileira de defesa com o continente africano após-2010
As relações da indústria brasileira de defesa com o continente africano após-2010

Em texto publicado em 2010, afirma-se que a reaproximação diplomática do Brasil com a África durante os dois primeiros governos Lula criou condições favoráveis para a abertura de mercados para a indústria brasileira de defesa.

Segundo o autor, essa política decorreu tanto de mudanças governamentais na política externa brasileira, em especial do fortalecimento das relações Sul-Sul, quanto de objetivos estratégicos do Estado brasileiro relacionados ao Atlântico Sul e à busca por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

O artigo cita cinco países com os quais havia negociações para a venda de equipamentos militares ou para cooperação industrial. Entretanto, ao reavaliarmos essas tratativas, verificamos que a maior parte dos resultados ficou aquém das expectativas iniciais. Na tabela a seguir, classificamos, país por país, o desfecho de cada situação.

País Mencionados em 2010 Realidade em 2026
África do Sul Desenvolvimento conjunto do míssil A-Darter e possibilidade de cooperação em projetos de mísseis navais Míssil A-Darter não foi industrializado no Brasil e não houve projetos conjuntos na área de mísseis navais
Angola Negociações envolvendo sistema de vigilância marítima da Atech e aeronaves Super Tucano Sucesso na venda de Super Tucano em 2012
Argélia Atech e Odebrecht disputavam contrato para construção de um centro de desenvolvimento de armas As empresas não ganharam o contrato
Gana Manifestação de interesse por uma corveta classe Barroso Interesse não se materializou em aquisição
Guiné Equatorial Interesse na aquisição de uma corveta classe Barroso Não ocorreu a aquisição

Posteriormente, contudo, foram registradas vendas de equipamentos de defesa para países africanos, envolvendo:
  • sistemas de comando e controle da Atech para a Mauritânia;
  • aeronaves Embraer Super Tucano para Angola e Burkina Faso, em 2012; Mali, com entrega em 2016; Mauritânia, com entrega em 2012; Nigéria, em 2019; Senegal, em 2013; e, possivelmente, Gana, em 2015.

Além disso, desde 2007, Angola utiliza um Legacy 600. Quanto a novas especulações de vendas, elas dizem respeito a sistemas de vigilância da Atech e a navios-patrulha (provavelmente das classes Grajaú e Macaé) para o Senegal. No caso de Angola, a possível venda desse sistema de vigilância voltou a ser mencionada em 2013; contudo, não encontramos comprovação de que o país efetivamente utilize o sistema da Atech.

Nenhum comentário:

Postar um comentário