junho 01, 2026

O futuro da ilha do Fundão e do Governador
O futuro da ilha do Fundão e do Governador

Por estarem localizadas em um dos setores mais assoreados da Baía de Guanabara, a ilha do Fundão e o a ilha do Governador podem, em um futuro próximo, ver o avanço desse processo favorecer sua ligação física ao continente.

O assoreamento é um processo natural decorrente da deposição de materiais transportados pelos rios que deságuam na baía. José Antônio Baptista Neto e outros autores estimam que, atualmente, cerca de 4 milhões de toneladas de sedimentos sejam lançadas anualmente na baía, especialmente durante as chuvas de verão. A ocupação urbana desordenada, o desmatamento e a poluição dos cursos d'águas que desaguam na baía de Guanabara é que resultaram em números tão expressivos.

Estudos realizados por Elmo da Silva Amador indicam que a taxa de sedimentação na região entre a Ilha do Governador e o continente aumentou significativamente ao longo do tempo. Entre 1850 e 1920, era de aproximadamente 0,27 cm por ano; entre as décadas de 1940 e 1960, subiu para 0,87 cm por ano; e, em 1990, chegou a cerca de 1 cm por ano.

A tendência mais provável é que, inicialmente, essas ilhas passem a se conectar ao continente durante os períodos de maré baixa, enquanto o canal que as separa do continente mantenha algum volume de água durante a maré cheia. Essa interpretação é reforçada pelas observações do já citado Elmo da Silva Amador:

Um terço da Baía desaparece em menos de 100 anos. Outro terço em menos de 200. Sobra pouco menos de 1/3, que é o canal central, o rio. Seria um final da Baía. Da Ilha do Governador para Caxias, dá para ir a pé. A Baía de Guanabara, em função do seu assoreamento, está perdendo sua vida física.

Caso esse cenário de ligação durante a maré baixa venha a se concretizar, é provável que antigas propostas de aterro sejam novamente aventadas. Para isso, seria necessário cobrir aproximadamente 406 mil m² na região do Caju e outros 5,2 milhões de m² ao longo da Cidade Universitária e da Ilha do Governador, conforme o mapa abaixo:

A possibilidade de que essa transformação venha a ocorrer, eliminando definitivamente atividades como a navegação, a pesca e a construção naval, pode parecer exagerada à primeira vista. No entanto, quando se considera que processos semelhantes já ocorreram na própria região, tanto na Enseada de Inhaúma quanto na Ilha do Governador, essa preocupação mostra-se bastante plausível.

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