A ocupação urbana na zona Sudoeste do Rio de Janeiro (RJ) enfrenta sérias limitações na Baixada de Jacarepaguá, única unidade geomorfológica inteiramente contida na região. Formada por extensas planícies que abrigam lagoas próximas, a área possui vastos trechos de solo de turfa - um material orgânico escuro, gerado pelo acúmulo de vegetação em ambientes permanentemente alagados.
Do ponto de vista geotécnico, a turfa tem baixa resistência, sendo inadequada para suportar edificações sem o risco de afundamento. Por isso, essas áreas deveriam ser convertidas em espaços de proteção ambiental. Apesar dessas restrições, a pressão imobiliária força a ocupação desses terrenos frágeis.
Três casos emblemáticos na região ilustram os impactos de ignorar o meio físico: a Vila do Pan, o Centro Metropolitano e os prédios abandonados em Rio das Pedras.
Em 2014, o jornal O Globo noticiou que o terreno da Vila do Pan continuava cedendo, exigindo obras para conter maiores danos.
Em relação ao Centro Metropolitano, reportagem publicada em 2019 destacou que estudos posteriores ao Plano Lúcio Costa concluíram que não seria viável construir os edifícios originalmente previstos, devido à predominância de turfas naquele local.
Já em 2025, outra reportagem do mesmo jornal relatou que um condomínio abandonado há décadas em Rio das Pedras encontrava-se afundando progressivamente.
Logo, na zona Sudoeste do Rio de Janeiro (RJ), ou mais especificamente na Baixada de Jacarepaguá, a urbanização intensiva do solo mostra-se inviável em certos locais, exigindo o respeito às características naturais do terreno para evitar prejuízos econômicos, riscos à população e degradação ambiental.
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