O bairro do Caju, localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro, passou por profundas transformações ao longo do tempo. No século XIX, o atual bairro era considerado uma área nobre da cidade. Com o avanço da urbanização e da industrialização da cidade, o Caju se consolidou como uma área industrial e portuária, além de ser um importante corredor logístico, visível pela presença da Avenida Brasil e da Linha Vermelha.
Ao mesmo tempo, o bairro sofre com graves problemas socioambientais, sendo frequentemente caracterizado como uma zona de sacrifício ambiental por alguns autores. A degradação da Baía de Guanabara, a poluição industrial, a presença de lixões clandestinos e o intenso tráfego de caminhões geram impactos negativos que afetam diretamente a qualidade de vida da população local. É digno de nota que apesar dessa intensa degradação ambiental, a histórica atividade pesqueira do Caju ainda tenta resistir.
Segundo estudo da FIRJAN, em 2003 cerca de 30% da área do bairro era ocupado por favelas, outros 30% por cemitérios e aproximadamente 30% por instalações industriais, militares e logísticas. Apenas 10% permaneceu destinada a espaços públicos e áreas residenciais de classe média baixa.
Entre os maiores espaços do bairro, destacam-se os cemitérios São Francisco Xavier e Memorial do Carmo, a ETE Alegria, a usina de tratamento de resíduos, o antigo Estaleiro Caneco, o antigo Estaleiro Inhaúma e áreas vinculadas ao Porto do Rio de Janeiro.
No mapa abaixo, é possível ver seu uso do solo por quatro importantes atividades em 2019: comércio e serviços (em salmão), industriais (em azul), institucionais (em laranja) e de transporte, que inclui o porto (em preto):
Contudo, uma nova transformação começou a se desenhar no Caju. Em 2022, a área do antigo estaleiro Caneco foi comprada pelo Estado do Rio de Janeiro, que pretende transformá-la em um terminal pesqueiro. Em 2025, foi a vez da área do antigo estaleiro Inhaúma ser adquirida pelo grupo filipino ICTSI. Entre as possibilidades discutidas para aquela espaço, está a implantação de um Terminal de Uso Privativo (TUP). No mesmo ano, sindicalistas também defenderam a conversão da área do antigo estaleiro para desmontagem de navios e plataformas.
Independentemente da solução adotada, observa-se uma mudança importante no bairro. Os antigos estaleiros, anteriormente associados à construção naval e, portanto, às atividades industriais, tendem a ser convertidos para usos vinculados aos serviços portuários. No mapa abaixo, é possível visualizar o uso do solo em 2026, considerando os futuros usos:
Assim, de área nobre, o Caju tornou-se um importante polo industrial e portuário; agora, parte de seus antigos espaços industriais caminha para uma crescente especialização em atividades de serviços portuários.
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